Archive | June, 2014

Copa, estranha Copa

20 Jun

bandeiraJá havia me conformado há tempos com a estranheza de não estar no Brasil na primeira Copa do Mundo que ele sediaria desde que eu nasci.

Mas chegando o dia do evento é que tudo parecia mesmo raro.

Eu não estava de camisa verde-amarela. Não estava reunida na casa de alguém da família com quitutes e caipirinha, eu liguei a TV e eles falavam castelhano.

Estranhíssimo, ainda, foi ver bombas que não eram fogos de artifício. Um brasileiro sendo tristemente imobilizado pela polícia.

E, obedecendo à lógica do esquisito, foi conectada por Skype, celular e todos os aplicativos tecnológicos possíveis que acompanhei a abertura e o primeiro jogo com aqueles que mais amo.

A ideia de Copa, que aqui de longe já custava a se materializar, continuou virtual até o apito final. Sem escutar rojões, sem gritos alheios.

Porém, teve algo bem real. As lágrimas que vieram ao ver aquilo tudo passar, a natureza, as tradições, as crianças, o futebol, a torcida, a bandeira, as cores e até a duvidosa música de abertura. Uma mistura de clichês e raízes que cutucavam o coração por serem justamente tão clichês e tão raízes. Na hora do jogo, o hino reverberava em soluços, principalmente ao ouvir todos continuando a letra após a música parar.

À distância, as coisas tomam proporções diferentes, parecem melhores ou piores ao extremo. Se isso à primeira vista pode parecer uma distorção da realidade, prefiro entender que seja a forma mais pura de se ver o que é bom e o que é ruim de onde viemos.

“De onde viemos” é um sentimento único que se manifesta sem que possamos controlar, e ontem ele se manifestou como um colírio que deixava ver nitidamente o que temos de melhor. Porque, apesar dos pesares, temos.

É por isso que não consigo reclamar da abertura que tinha pouca gente, fazendo um comentário voraz como os que se espalharam pelas redes sociais. Ela foi para mim esplêndida, mesmo que pudesse ser melhor. Não consigo reclamar da seleção, mesmo com gol contra ou pênalti que não foi pênalti, porque ela em sua estréia me fez gritar gol três vezes, bem alto para ver se me escutavam na terra da garoa. Quando a tão questionada festa acabar, que continuem as manifestações contra o nosso pior.

Do lado de cá, não poderei dizer que vivi a Copa no meu país, mas que felizmente senti a Copa no meu país.

E vocês, aproveitem que estão aí, porra.