Archive | December, 2012

Quase

12 Dec

strogoÀs vezes me perguntam por que não viro vegetariana. Às vezes eu me pergunto por que não viro vegetariana.

Hoje me peguei preferindo o sabor do tomate ao das almôndegas. Sou capaz de almoçar só salada. Adoro legumes. Frutas, nem se fala, só me atrapalha um pouquinho a preguiça de cortar.

Acontece que também gosto de carne – mas aí depende. Da textura, do tempero. Chega a ser impossível de explicar, mas tem umas que amo e outras que odeio.

Acho que vim com defeito neste quesito, desviei da fila lá no céu, e deixei toda a vontade carnívora para a minha irmã. Desde pequena foi assim, eu dando trabalho para comer carne, meu pai ficando neurótico, achando que a menina ia ter anemia.

Os maiores problemas vêm das vermelhas. Mas também entro em enrascadas com gostos estranhos em aves e peixes – afinal, que horror é comer frango com gosto de frango e peixe com gosto de peixe. Não tem coisa pior do que deixar comida no prato e sair com fome do restaurante.

Como dá para ver, minha aversão não é filosófica. Matam os bichos, tudo bem, é a cadeia alimentar, e não vou ser louca de assistir aqueles vídeos que mostram abatedouros. O máximo que fiz foi ver um vídeo em que o Jamie Oliver mostrava para crianças como se fazia nuggets. Parei de comer, mas um belo dia tive recaída. De tanto falarem, também já parei de comer salsicha. Voltei, e nossa, como amo cachorro-quente.

Não viro vegetariana pela carne de panela da minha mãe.

Pela porpeta da minha avó.

Pelo bife à milanesa da minha sogra.

Pela picanha finiiiinha que o tio Marcelo corta pra mim.

Pela coxinha de frango do Veloso.

Pelo meu strogonoff.

Pelo salmão, pelo peito de peru, pelo salame – aqui, chorizo.

Se eu fosse vegetariana, não teria provado outro dia um hambúrguer sensacional aqui de Barcelona, os increíbles “huevos rotos” e um frango assado com molho indescritível de Madrid, só para falar dos sabores mais recentes.

Pronto, me convenci.