Da pior espécie

28 Jun

O dedo do meio mostrado para mim por uma loira apressadinha, de dentro do seu carro na Marginal logo de manhã, me fez pensar na falta de educação que acomete aqueles que justamente têm acesso a ela.

O mal-educado típico não é a manicure, o cobrador de ônibus ou o frentista do posto, dos quais recebo frequentemente sorrisos e palavras de profunda inteligência.

Ele é o executivo-padrão que sai do restaurante da Faria Lima e joga papel de bala no chão. É o dono do carro mal-estacionado que come a vaga ao lado no shopping, jaula da humanidade pós-moderna. É o pai de família que trata o garçom com superioridade no restaurante da moda. É a dondoca que buzina lá atrás quando você pára o carro para o pedestre atravessar. Na selva de pedra, evolução zero.

Os macacos que apareceram outro dia no jardim da minha sogra são mais civilizados. Você dá a banana, eles pegam, não avançam. Respeitam o espaço do outro. Não fazem ideia do que é arrogância. Seguem o instinto, mas nele há coerência.

Aliás, olhando bem para eles, vi o quanto somos primatas. Aos macacos, as bananas. Aos homens, um curso de boas maneiras.

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One Response to “Da pior espécie”

  1. Leila Funfas July 25, 2012 at 12:23 am #

    Muito bom Ju, concordo 100% com vc!

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