Archive | December, 2011

Espírito natalino

22 Dec

Toda mulher sabe o terror que é marcar unha, cabelo y otras cositas más na véspera de Natal. Os salões abrem a agenda em novembro e, se você não se apressar, fica sem horário. Consegui o meu com as manicures que gosto: 8h30. Chego às 8h37 e ouço que não poderão me atender, porque cheguei atrasada (7 minutos!). Todas as clientes estavam atrasando, então elas resolveram, bem na minha vez, ajustar o horário. Toda mulher também vai entender o ódio que me tomou e a vontade de sair dali para nunca mais voltar, contida pelo fato de que se eu fosse embora, só iria fazer a unha no ano que vem. Fiz com outras manicures, li uma Caras e procurei me acalmar.

Tal falta de tolerância me faz pensar por onde anda o espírito natalino. Não deveríamos tentar, ao menos nesta época do ano, ser mais maleáveis, amáveis, generosos?

Passar a semana anterior ao Natal em São Paulo é uma guerra de sobrevivência, com vias entupidas de pessoas enlouquecidas, ávidas por comprar aquele presentinho que falta. Buzinam, ultrapassam, xingam, correm, esbarram, xingam de novo. Chegam em casa e depositam mais uma doce caixinha na beira da árvore.

As lojas de qualquer shopping colecionam filas no caixa, onde funcionários e suas olheiras atendem em horas-extra. Carros se amontoam para ver os enfeites da Avenida Paulista, provocando congestionamentos às onze e meia da noite. É tanto caos que se Jesus Cristo ressurgisse andando pela Faria Lima, ninguém ia perceber.

Para o próximo Natal, desejo menos presentes e mais simpatia. Menos buzinas e mais calor humano. Menos individualismo e mais solidariedade. Que amoleçam os corações de pedra. Ou de que adianta ceia, amigo secreto e aquele blá blá blá todo? Ontem saí com lágrimas nos olhos do show de fontes e luzes no Parque do Ibirapuera. Tô até perdoando minhas ex-manicures.

Bichos

13 Dec

Amor de gato é livre. 

Despretensioso, vem sem avisar. Surpreende, acolhe. Também quando não quer, não tem. Fica cada um no seu canto, vivendo seu eu, que também é preciso pra alimentar o amor de dois. Não que desapareça, mas fica ali guardado pra quando Deus sabe.

Amor de cão exige. Bajulador, não vive sem. Sozinho, se deprime. Ciumento, não deixa espairecer. É tudo ou nada.

Amor de gato é inteligente. Sabe esperar, dosa, curte. E aí é o maior amor do mundo.

Amor de cão é preso, coleira na guia. Cãofinado, até pular o muro.

Amor de gato pula o muro no sentido figurado. Dá suas voltas, revira os lixos, salta os telhados e volta feliz para o seu quentinho.

Amor de cão é mundo cão. Amor de gato tem sete vidas, no mínimo.