Vida light

23 Nov

Salpicão de frango do Cervantes, RJ, hummm.De uns tempos para cá, a vida anda mais difícil. Verdade seja dita: era bem mais simples quando a minha mãe fritava no óleo (de soja e ponto) couve-flor, polenta, porpetas, bifes e banana à milanesa. Cresci com essas gostosuras na mesa, comendo sem culpa e lambendo os dedos engordurados no final. A infância era um filé à cubana, crocante e despreocupado.

No lanche do colégio, um Diamante Negro por dia. Também tinha a pizzinha da cantina, escorrendo óleo, que me faz salivar vinte e cinco anos depois. Em casa, pacotes de bolacha recheada de chocolate. Na faculdade, uma overdose de provolone à milanesa causou um trauma estomacal que carrego até hoje. Quando comecei a trabalhar, pães de queijo à tarde. E são dessa época minhas últimas lembranças da vida trash-relax.

Costumava rir da mulherada que ficava contando quantas calorias tinha tal coisa. Quem diria que hoje eu estaria plantada na frente da gôndola, analisando a quantidade de sódio na embalagem, desviando o olhar do creme de leite e escolhendo um pão 200 grãos.

E ainda temos que optar: óleo de girassol, de canola, de milho, de linhaça, de semente-que-nunca-ouvi-falar. Açúcar cristal, mascavo, demerara, orgânico. Sim, quase todos existiam antigamente, mas não se pensava muito em qual teria uma melhor performance no seu exame de sangue.

A cada ano, novas descobertas: ovo faz bem, ovo faz mal. Chocolate pode, chocolate não pode. Haja conhecimento. Sem falar que é caro ser saudável. Vai comprar um tomate orgânico e você logo se convence de que o agrotóxico vale a pena. Dá até um gostinho especial.

Tem coisa que não consigo, tipo arroz integral. Outro dia tomei leite com linhaça e quase vomitei. Mas já fico bem feliz em andar de bicicleta, comer fruta todo dia e não encontrar guloseimas na despensa.

Agora, minha consciência é light. E vira e mexe, ela pesa. Como na Hamburgueria do Sujinho, quando me deliciei com a melhor batata frita e a melhor maionese da Terra.

Bons momentos aqueles sem fazer ideia do colesterol. O russo que descobriu as letais moléculas nunca tinha provado a coxa creme do Estadão. Aposto que ia ficar bem quietinho.

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7 Responses to “Vida light”

  1. Marilene de Assis Furtado November 24, 2011 at 10:05 am #

    Genial o comentário!!!

    Antes se comia de tudo,sem culpa, talvez morresse mais cedo, só que mais leve porque muitas vezes nem se sabia do que.
    Santa ignorância do passado!
    Hoje sabemos tudo ,sobre tudo, o que analisar nas embalagens de supermercado, o que comer e o que não para ter uma vida longa e saudável !
    Saudável será? Com todo esse estresse da vida atual será que conseguiremos chegar
    na velhice com o corpo e a mente sãos?
    Mesmo tendo aberto mão de todas as “gostosuras” na vida quando jovens.
    Sei não!?!?

  2. labri November 24, 2011 at 11:16 am #

    tudo verdade.

  3. Iris Jonck November 25, 2011 at 3:20 pm #

    KKKKKKKKKK, muito bom Ju!

  4. Trix November 25, 2011 at 4:25 pm #

    Muito bom, Ju. E como dizia aquele velho ditado: a ignorância é uma benção. bj

  5. Giovana November 25, 2011 at 5:32 pm #

    Muito bom!!!!! :-)))))

  6. Marcelo Moreno November 25, 2011 at 5:44 pm #

    Muitas vezes, parto para a máxima “a ignorância é uma sublime dádiva”

  7. MF November 29, 2011 at 4:00 pm #

    Se souber a dose certa dá para se deliciar com tudo e durante a vida toda…o que mata é o exagero, a falta de atividade física e a neurose do mundo moderno…

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