Archive | July, 2011

Black

26 Jul

Lágrimas rolaram dos meus olhos naquele dia na Arena Anhembi quando, depois de horas de espera, soaram os primeiros acordes e ela entrou no palco. Lágrimas diferentes de quando, neste sábado à tarde, eu soube que Amy se calaria para sempre.

Aquele show foi ela, sintonia entre perfeição e imperfeição, timidez nítida, letras provocantes, voz expressiva. Não concordei com a chuva de críticas que caiu em cima no dia seguinte, e fico muito feliz de poder ter visto aquilo tudo ao vivo.

Aquilo tudo, que era muito para ela. Tudo que ela viveu era muito para ela, exposição demais, cobrança demais.

Metade da pressão vinha de dentro. Todo gênio criativo tem uma alma revoltada, uma dose extra de sensibilidade e um componente de desequilíbrio – com exceção de Paul McCartney. Tudo levava a crer em um fim trágico, mas a esperança sempre existe – até que vem a notícia.

Metade da pressão vinha da mídia, com os retratos sórdidos de seus paparazzis. Da morte, extrai-se a última gota: é a teoria dos 27, a especulação sobre a causa, reportagens especiais, comentários do ex-namorado preso. Hoje, passados três dias, a manchete foi reduzida a uma pequena nota comentando o funeral, que tive dificuldade para encontrar nas páginas dos principais jornais online. Daqui a uns dias, sai de vez da pauta.

Os anjos devem estar um pouco chocados com tanta tatuagem, magreza, olheiras e histórico destrutivo. Mas só até tocarem as harpas e ela soltar a voz.

Rest in peace.

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Vazio digital

25 Jul

Se você chegou até aqui pelo meu Facebook, quer dizer várias coisas. Primeiro, que se liga em redes sociais. Segundo, que tem um leitor de QR code instalado no seu celular. Ou seja, é conectado pacas! Terceiro, que ficou curioso e se deu ao trabalho de ler o QR code que postei. Neste momento exato, existem duas possibilidades: você dá de ombros e sai do blog ou segue lendo este texto e, quem sabe, alguns aí mais para baixo. Assim, eu também tenho duas possibilidades: ou prendo sua atenção com palavras relevantes ou perco um leitor que, frustrado, ou até mesmo com raiva, pode nunca mais voltar.

Espero que você leia este texto até o final e goste do blog, mas fiz tudo isso para comentar o que alguns anunciantes têm feito na empolgação das novas tecnologias mobile. Tem empresa colocando QR code em seus anúncios. O consumidor bota a maior fé e fica doido pra saber que surpresa o espera. Pega seu celular, abre o aplicativo. Fotografa o código e…zás! Cai no site da empresa. Grande coisa. Grande coisa chata. Promover toda essa mobilização no seu precioso público para não ver oferecer nada de interessante? Desperdício total.

Este é um pequeno exemplo para dizer de que nada adianta a forma se não tiver conteúdo. As pessoas esperam ser surpreendidas, esperam se divertir, esperam uma novidade. As novas tecnologias digitais estão aí para serem usadas, mas com pertinência e relevância. Não queime o filme da sua marca. Se não tem nada legal para dizer, fique offline.

Minhas férias

19 Jul

Fiquei sem escrever por algum tempo porque estava de férias. Voltei esta semana à labuta e já estava preocupada com o blog, me preparando para retomar os textos. Aí ontem assisti Bruna Surfistinha e vendo sua dedicação com o tal blog que a tornou uma celebridade, escritora e personagem de filme, me apressei para sair da inércia.

Tem férias de vários tipos. Por exemplo, aquela em que você vira office boy. Ou porque você mesmo decidiu resolver todas as pendências da sua vida, ou porque alguém descobre que você está de férias e começa a lhe pedir favores na cara-de-pau. É fila de banco, Poupatempo, supermercado, conserto da torneira. Como se o ócio não fosse ocupação.

Tem férias que você fica em casa. É bom e pertinente se você está absolutamente sem grana, mas para uma virginiana isso significa arrumar todos os armários e pastas, jogar fora os papéis, ir no aperto da 25 de março comprar tranqueiras, ir no Ceasa cedinho ver flores. Nada muito relax.

De longe, prefiro as férias em que você viaja do início ao fim, com a desvantagem de voltar ao trabalho com a casa de ponta-cabeça e o balde de roupas transbordando. Seja para um lugar a 100 ou 10.000 Km de distância, o que importa é desconectar a cabeça e fazer coisas que você nunca tem tempo de fazer.

Nestas férias, eu vi novelas. Li o livro que só enfeitava a cabeceira. Bordei ponto cruz e terminei um pano de prato inteiro. Fiz trilha. Vi montanhas. Tirei foto de urubu. Experimentei pratos típicos. Férias é pra relaxar, sair do seu mundo e descobrir outros. E não tem maior prova de que elas foram boas do que chegar no trabalho e ter esquecido todas as senhas.

Hoje passei no McDonald’s e me lembrei do dia em que, morrendo de pressa, paguei e fui embora sem pegar meu lanche. Estressada ou não? Agora tou paz e amor.

PS: quando fui postar este texto, também tinha esquecido o login.