Archive | June, 2011

ParKing

7 Jun

O investimento mais lucrativo hoje em dia não é a bolsa. Não é o petróleo. Não é o café. É o estacionamento. De preferência, em São Paulo. Arrume um terreninho, coloque uma placa tosca e pronto, já pode começar seu gordo pé-de-meia.

Na balada que não está em alta, é 15, patrão. Na balada do momento é 20, preço fechado. No Mercadão, é 25 de cara e 10 por hora adicional. Com isso faço a feira da semana. Ah, no “estacionamento” do flanelinha é melhor: 10. Uma vez elogiei um estacionamento que achei justo. A funcionária respondeu que na semana seguinte ia aumentar.

Sempre que dá, paro na rua. Não porque goste, mas por revolta de ter que pagar valores cada vez mais exorbitantes. Acontece que às vezes é tarde, às vezes tenho pressa, às vezes não tem vaga por mais que dê voltas no quarteirão. Às vezes não tem nem rua para tentar, como hoje, quando fui retirar um documento em um prédio na marginal.

Se eu estivesse a cavalo, amarraria o bicho na beirada do rio Pinheiros, ele ficava lá pastando tranqüilo no Projeto Pomar. Mas o que eu faço com a lata que me leva pra cima e pra baixo? Entro no estacionamento do prédio e, por cinco minutos (subi, peguei o envelope, desci), pago a bagatela de 10 reais. Nem estacionar o manobrista estacionou, eu mesma o fiz. Ô dinheiro fácil.

Minhas outras opções são andar de bicicleta e correr o risco de ser atropelada, andar de ônibus e demorar o triplo do tempo, andar de metrô e não ter uma estação que me sirva. O estacionamento é o rei da rua. Sobra engolir seco e ser conivente com esses assaltos à mão armada, armada com uma maquininha de cartão. Depois do sangue ferver, pelo menos meus 10 renderam estes parágrafos.

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