Crimes & Cia

25 May

Parece que a moda é matar. Matam-se os pais. Mata-se a ex-namorada. Mata-se o filho pequeno. É a manchete-commoditie do horror pós-moderno: todos os dias uma atrocidade para você.

Esta semana é a menina de dezoito anos que matou o amante no motel. Está na TV, está no rádio, está na internet. Um assassinato light, perto de uma Von Richthofen e de um Nardoni. Outro dia foi o maluco que entrou na escola atirando em crianças. Semana que vem será outro, e mais outro.

O fato é que, inevitavelmente, um por um, a mídia esquece. As pessoas esquecem. Esquecem porque não é com elas. O vazio no dia a dia não é com elas. O que se matou foi muito mais que um corpo, algo grandioso demais para alguns segundos no jornal. Mataram-se relações, sonhos, significados, coisa que só os mais próximos conseguem sentir, e vão sentir pelo resto de suas vidas.

Aí vem a lei e dá pro bandido indulto de Natal. Indulto de Dia das Mães. O que passa pela cabeça desse ser temporariamente livre? Existe alguma ínfima possibilidade dele sentir saudade da cela que divide com mais 50, comendo mal, dormindo mal, o cérebro regredindo? É claro que o fulano não volta. O benefício é dado ao preso que tem pena de até oito anos de prisão e tenha cumprido 1/3 dela, desde que não seja por crime hediondo. Ou seja, é pros bandidos bonzinhos. Sorte deles, que têm uma chance novinha de fazer coisa pior – e virar manchete.

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